Mitos da GB - Seu Dica - Trio Maragós
- 22 de mai.
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Igor Martins
Nas ruas históricas de Maragogipe, onde o carnaval atravessa gerações como uma das maiores expressões culturais do Recôncavo Baiano, um nome se tornou parte da própria identidade da festa: Edildo Nascimento, conhecido popularmente como Dica. Durante décadas, ele comandou a alegria dos foliões com sua inseparável guitarra baiana à frente do tradicional Trio Maragós, transformando música em patrimônio afetivo da cidade.
Dica sempre definiu sua relação com o carnaval de forma direta e apaixonada: “Eu sou carnavalesco mesmo”. Desde os anos 1960, sua trajetória esteve ligada aos trios elétricos e às manifestações populares que movimentam as ruas de Maragogipe durante o período carnavalesco. Em 1962, integrou o Maragós, apontado como o terceiro trio elétrico da história do carnaval baiano, iniciando uma caminhada marcada pela criatividade e pela dedicação à música.
Foi justamente naquele período que nasceu uma de suas contribuições mais curiosas para a cena musical local: uma pequena guitarra de cinco cordas criada artesanalmente por ele próprio. Insatisfeito com o som grave do violão que utilizava para fazer duetos, Dica decidiu experimentar novas possibilidades. Com ferramentas emprestadas de um amigo, desenvolveu um instrumento menor, de sonoridade mais aguda e marcante, que passou a acompanhá-lo nos carnavais e apresentações.
Em depoimento registrado no vídeo de 2012, ele relembra com convicção o processo de criação da guitarra baiana artesanal. Embora nunca tenha formalizado o registro da invenção, dizia ter certeza de que havia sido o responsável por desenvolver aquele modelo que marcou sua trajetória musical.
O documentário também revela um lado afetivo de Dica: a relação de companheirismo com a esposa, mencionada por ele como presença constante nas viagens e na rotina artística. Entre risos e lembranças, o músico demonstrava carinho pela família e pelo público que o acompanhou ao longo dos anos.
Mais do que artista popular, Dica representa uma memória viva do carnaval tradicional do interior da Bahia — um tempo em que os trios elétricos eram movidos pela inventividade, pela proximidade com o povo e pela paixão de músicos que fizeram história longe dos grandes centros. Em cada acorde de sua guitarra baiana, permanecem ecos da tradição cultural de Maragogipe e da força de um carnaval construído nas ruas, na música e na memória coletiva.
Fonte do video : Canal Casa do Verso


































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